Sala de Imprensa

2007

Sistema aéreo em discussão na ACRJ

Mauro GandraO ex-ministro e tenente-brigadeiro-do-ar, Mauro José Miranda Gandra, disse durante o Conselho Diretor do dia 1º de agosto ser contrário à desmilitarização do controle de tráfego aéreo brasileiro. Segundo ele, a medida não é boa para o setor. "Um militar pode ser deslocado para uma região para desenvolver um trabalho por até um ou dois anos. Já um controlador civil ficaria sujeito às leis trabalhistas, horários a cumprir", disse Gandra.

O especialista afirmou que o divisor de águas da aviação brasileira foi o acidente com o vôo 1907 da Gol Linhas Aéreas, em setembro passado, quando 154 pessoas morreram na tragédia. "É comum acontecerem erros, mas não da maneira como ocorreu", disse Mauro Gandra lamentando a seqüência de acidentes aéreos no país. O ex-ministro alertou que o grande problema está no controle aéreo. Segundo ele, os controladores não estão respeitando a hierarquia e prejudicam o tráfego com o grande número de pedidos de licenças médicas. Ele explicou que para cada monitor há cinco controladores responsáveis pela segurança de determinada área. "Se um deles faltar pelo menos 40% do trabalho ficará comprometido", disse.

Mauro Gandra teme que haja um acordo entre os controladores de vôo para desestabilizar o sistema na América Latina, onde ainda há países cujas operações são realizadas por militares. Segundo ele, a hipótese de motim teria surgido em reunião realizada em maio deste ano na Turquia. Durante a palestra, o ex-ministro exibiu slides e explicou o funcionamento do sistema aéreo brasileiro. Gandra afirmou que nos últimos sete anos cerca de R$ 2 bilhões foram investidos e que até o fim deste ano, 363 controladores de vôo serão formados.   

O consultor criticou o vazamento de informações e citou o Anexo 13 da Convenção de Chicago, de 1944, o qual diz que o conteúdo das caixas-pretas deve ser mantido em sigilo até o fim das investigações, o que, segundo Gandra, não ocorre, pois as informações estampam as primeiras páginas dos jornais logo após a análise das autoridades.

Em sua palestra, Gandra disse que desaprova a construção de prédios altos próximos ao Aeroporto de Congonhas e elogiou a localização do Tom Jobim e Santos Dumont. "O Rio de Janeiro é privilegiado. Os aeroportos têm o mar a sua volta", disse.

Em relação à nomeação de Nelson Jobim para o ministério da Defesa, Gandra afirmou que sua nomeação é de grande importância.

Presente a reunião, o presidente da ACRJ, Olavo Monteiro de Carvalho, lamentou o acidente com Airbus-320 da TAM, vôo JJ3054, em 17 de julho. "O nosso sentimento é de desamparo. Não sabemos o que fazer, como agir", disse. No início da palestra os conselheiros fizeram um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente.   



Por Cida Belford

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