Sala de Imprensa
2009
Inovação Tecnológica na Área Nuclear
Debater os principais desafios da inovação na área nuclear, foi um dos objetivos do workshop "Inovação tecnológica na área nuclear", promovido pelo Conselho de Inovação e Tecnologia da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) nesta quarta-feira, 22 de julho, na sede da instituição.
O momento de expansão do setor nuclear no Brasil precisa ser acompanhado pela formação de uma nova geração de profissionais para atuar na área. A opinião é do diretor técnico da Eletronuclear, Luiz Soares, que abordou a necessidade de capacitação para o setor.
Segundo o diretor da Eletronuclear, a mão-de-obra atual garante a construção eficiente e segura da usina Angra 3, mas não haverá pessoal suficiente para tocar projetos de usinas futuras. E o tempo prolongado de capacitação exigida para a área torna a tarefa ainda mais urgente. "Um ponto de preocupação é exatamente a formação de mão-de-obra porque o setor ainda tem sua maior parte de profissionais do grupo original que participou da grande expansão durante os anos 1980. É necessário uma retomada disso, não apenas em níveis de graduação, mas também com complementações e retorno de profissionais que estavam fora da área".
Para Soares, a discussão sobre a ampliação do setor, como esta promovida pela ACRJ, é essencial não apenas para a área nuclear em si, mas também para a economia fluminense. "Esta é a discussão sobre um setor que mora no Rio de Janeiro, pois aqui estão a empresa geradora de energia, a grande produtora de equipamentos pesados (Nuclep), o produtor do nosso elemento combustível (a Fábrica de Combustível Nuclear da Indústrias Nucleares do Brasil/INB, em Resende), além de universidades e centros de pesquisa, dos quais eu destacaria o grupo de energia nuclear da Coppe/UFRJ e o Centro de Avaliação não Destrutiva (Cand). Este último, que surgiu inspirado na área nuclear, tem possibilidades também de auxiliar em outras áreas, na medida em que tem seus objetivos destinados à preservação e à integridade física de materiais e equipamentos, fazendo com que vários setores do Rio de Janeiro possam se beneficiar com esses resultados", explicou.
Durante o workshop, o diretor revelou que a diretoria do Cand se reuniu neste mês com o prefeito Eduardo Paes, que garantiu a cessão de uma área da Zona Portuária da cidade para a instalação da entidade, como parte do processo de revitalização daquela localidade. O Cand, presidida pelo próprio Soares, é uma organização desenvolvida pelo Instituto de Energia da PUC-Rio para a Eletronuclear.
De acordo com o diretor de Produção do Combustível Nuclear das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Samuel Fayad Filho, hoje, 17% da energia elétrica no mundo são gerados através de fonte nuclear e este percentual tende a crescer com a construção de novas usinas, principalmente nos países em desenvolvimento (China, Índia, etc.). Os Estados Unidos, que possuem o maior parque nuclear do planeta, com 103 usinas em operação, estão ampliando a capacidade de geração e aumentando a vida útil de várias de suas centrais. França, com 58 reatores, e Japão, com 56, também são grandes produtores de energia nuclear, seguidos por Rússia (31) e Coréia do Sul (20). "A área nuclear é um ramo do conhecimento tecnológico que exige cada vez mais criatividade, para garantir um avanço permanente do desempenho operacional, tornando-o mais eficiente, confiável e seguro", disse ele, ressaltando que o Brasil está indo nesta direção com muito empenho. A inovação tecnológica exigida decorre naturalmente de uma criatividade em permanente processo de evolução.
