Sala de Imprensa

2009

Inovação Tecnológica na Área Nuclear

Luiz Soares, Ziele Dutra Thomé Filho, Samuel Fayad Filho e Carlos Frederico FigueiredoDebater os principais desafios da inovação na área nuclear, foi um dos objetivos do workshop "Inovação tecnológica na área nuclear", promovido pelo Conselho de Inovação e Tecnologia da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) nesta quarta-feira, 22 de julho, na sede da instituição.

O momento de expansão do setor nuclear no Brasil precisa ser acompanhado pela formação de uma nova geração de profissionais para atuar na área. A opinião é do diretor técnico da Eletronuclear, Luiz Soares, que abordou a necessidade de capacitação para o setor. 

Segundo o diretor da Eletronuclear, a mão-de-obra atual garante a construção eficiente e segura da usina Angra 3, mas não haverá pessoal suficiente para tocar projetos de usinas futuras. E o tempo prolongado de capacitação exigida para a área torna a tarefa ainda mais urgente. "Um ponto de preocupação é exatamente a formação de mão-de-obra porque o setor ainda tem sua maior parte de profissionais do grupo original que participou da grande expansão durante os anos 1980. É necessário uma retomada disso, não apenas em níveis de graduação, mas também com complementações e retorno de profissionais que estavam fora da área".

Para Soares, a discussão sobre a ampliação do setor, como esta promovida pela ACRJ, é essencial não apenas para a área nuclear em si, mas também para a economia fluminense. "Esta é a discussão sobre um setor que mora no Rio de Janeiro, pois aqui estão a empresa geradora de energia, a grande produtora de equipamentos pesados (Nuclep), o produtor do nosso elemento combustível (a Fábrica de Combustível Nuclear da Indústrias Nucleares do Brasil/INB, em Resende), além de universidades e centros de pesquisa, dos quais eu destacaria o grupo de energia  nuclear da Coppe/UFRJ e o Centro de Avaliação não Destrutiva (Cand). Este último, que surgiu inspirado na área nuclear, tem possibilidades também de auxiliar em outras áreas, na medida em que tem seus objetivos destinados à preservação e à integridade física de materiais e equipamentos, fazendo com que vários setores do Rio de Janeiro possam se beneficiar com esses resultados", explicou.

Durante o workshop, o diretor revelou que a diretoria do Cand se reuniu neste mês com o prefeito Eduardo Paes, que garantiu a cessão de uma área da Zona Portuária da cidade para a instalação da entidade, como parte do processo de revitalização daquela localidade. O Cand, presidida pelo próprio Soares, é uma organização desenvolvida pelo Instituto de Energia da PUC-Rio para a Eletronuclear. 

De acordo com o diretor de Produção do Combustível Nuclear das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Samuel Fayad Filho,  hoje, 17% da energia elétrica no mundo são gerados através de fonte nuclear e este percentual tende a crescer com a construção de novas usinas, principalmente nos países em desenvolvimento (China, Índia, etc.). Os Estados Unidos, que possuem o maior parque nuclear do planeta, com 103 usinas em operação, estão ampliando a capacidade de geração e aumentando a vida útil de várias de suas centrais. França, com 58 reatores, e Japão, com 56, também são grandes produtores de energia nuclear, seguidos por Rússia (31) e Coréia do Sul (20). "A área nuclear é um ramo do conhecimento tecnológico que exige cada vez mais criatividade, para garantir um avanço permanente do desempenho operacional, tornando-o mais eficiente, confiável e seguro", disse ele, ressaltando que o Brasil está indo nesta direção com muito empenho. A inovação tecnológica exigida decorre naturalmente de uma criatividade em permanente processo de evolução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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