Sala de Imprensa

2010

Pré-sal e o Rio de Janeiro

Julio BuenoNos próximos anos, a participação do petróleo na economia fluminense deverá aumentar, com os investimentos nas novas jazidas de pré-sal e na construção de uma nova refinaria, que poderá aumentar o valor agregado das exportações, essa afirmação foi feita pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, que participou da reunião do Conselho de Energia da ACRJ, no dia 11 de maio.

Com cerca de 60% das descobertas do pré-sal em seu território, o Estado do Rio de Janeiro deverá receber mais de R$ 80 bilhões em investimentos nos próximos três anos. Segundo o secretário, estima-se que em dez anos a Petrobras produzirá o que levou cinco décadas. Em 2020, a estatal deverá ter uma produção de 4 milhões de barris por dia, o dobro da atual e boa parte desse acréscimo poderá vir de campos de pré-sal do Rio.

Os investimentos da Petrobras e de outras petroleiras para explorar o óleo irão desencadear a aplicação de R$ 40 bilhões de recursos em elos da cadeia produtiva, como construção de refinarias, indústrias de plásticos, siderúrgicas, fabricantes de máquinas e equipamentos e indústria naval. Por conta do pré-sal, grandes empresas estão instalando no Estado seus centros de pesquisa. "Somente em 2009, foram anunciados três novos centros de pesquisa com essa finalidade: da americana Baker Hughes, da francesa Schlumberger e da Usiminas. Todos funcionarão no maior parque tecnológico da América Latina voltado para o setor de óleo e gás, na Ilha do Fundão", disse o secretário Júlio Bueno.

A ser erguido no município de Itaboraí, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) está com 65% de suas obras de terraplenagem feitas. Com previsão para entrar em operação em 2013, o complexo pode significar a economia de US$ 2 bilhões na importação de plásticos e resinas. O Rio pode ganhar maior poder para agregar valor à sua balança comercial. Em 2000, o Estado respondia por 3,5% dos embarques brasileiros. Hoje, representa 10%, com boa parte da pauta está relacionada às exportações de óleo cru. 

Nos últimos 30 anos, a história da economia fluminense tem se confundido com a evolução da extração de petróleo. O futuro não será diferente. No início da década de 1980, quando a produção da bacia de Campos (RJ), cuja descoberta havia sido anunciada em 1974, começava a se consolidar como principal polo petrolífero, a economia brasileira sentia os efeitos do segundo choque do petróleo: em 1981, foram importados US$ 11 bilhões em óleo cru e derivados, cerca de metade das importações do Brasil, cuja dependência externa de petróleo chegou a 83%. O setor não respondia por mais de 5% do PIB fluminense.

A partir de 1985, com uma série de investimentos na Bacia de Campos, a Petrobras bateu o recorde de explorar petróleo a 492 metros de profundidade. A Bacia de Campos ganhava espaço na economia fluminense. "Entre 1980 e 2008, a produção nacional cresceu, na média, 8,6% ao ano, a expansão fluminense foi bem maior, de 15,2% ao ano. No período, a participação do Rio na produção nacional saltou de 15,7% para 82,5%", afirmou.

Um empurrão foi dado em 1997, quando foi sancionada a Lei 9.478, quebrando o monopólio da estatal no segmento, aumentando a concorrência no setor e trazendo novos investimentos. Em 1998, o petróleo respondia por 2,5% do PIB do país. Hoje, o número está em 10%, sendo que 83% da produção nacional está em, território fluminense. "A produção e a exploração de petróleo representam 25% do PIB do Rio de Janeiro, há 20 anos era ínfimo. Se contabilizar a indústria naval e petroquímica, o número fica entre 30% a 40%. Além do aumento da produção, o preço contribuiu para o aumento da importância do setor: em 2000, o barril estava abaixo de US$ 20."

Segundo Bueno, o interesse com o pré-sal deverá redistribuir as forças regionais da economia fluminense. Atualmente, o norte do Estado, onde está a Bacia de Campos, é a grande região produtora da commodity, o que, com o pré-sal, tende a mudar. "O litoral sul terá importância tão grande quanto Campos". Para ele, o boom da indústria de petróleo irá estimular investimentos em outros segmentos, como máquinas, siderurgia e serviços, de hotéis a restaurantes. "Uma plataforma é como se fosse um hotel flutuante, ou seja, isso estimula uma cadeia produtiva muito longa e com uma série de benefícios de maior emprego e renda." 

O secretário acredita que, a discussão sobre os royalties poderá trazer dificuldades para o governo fluminense. A aprovação da emenda Ibsen Pinheiro, que modifica os critérios de participação dos municípios do fundo de royalties do pré-sal, põe em risco o orçamento estadual. Segundo ele, pelas novas regras, o Rio perderia a receita atual, de cerca R$ 4,5 bilhões por ano, o que seria drástico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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