Sala de Imprensa
2010
Conselho de Segurança
A população do Rio de Janeiro está consciente do trabalho das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs) e aprova sua atuação, de acordo o comandante geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, que apresentou palestra durante a reunião do Conselho de Segurança Pública da ACRJ, em 12 de julho.
Segundo o coronel, levantamentos feitos por institutos de pesquisas mostram que 86% dos cariocas são favoráveis às unidades pacificadoras e 93% dos moradores das comunidades onde as UPPs já foram instaladas aprovam seu trabalho.
Atualmente, 10 comunidades, que representam cerca de 250 mil pessoas, contam com a presença dos policiais da UPP - Andaraí, Batan, Borel, Chapéu Mangueira/Babilônia, Cidade de Deus, Formiga, Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, Providência, Santa Marta e Tabajaras/Cabritos.
O comandante geral da PM disse que a imagem que se tem hoje de policiais fortemente armados não é a ideal e que a luta da corporação é para reduzir o nível de violência no estado do Rio de Janeiro. "Não queremos policiais com fuzis nas mãos e pistolas na cintura. Nossa expectativa é ter um dia o policial trabalhando apenas com sua arma de porte. O combate com traficantes criou uma guerra, com vítimas dos três lados - policiais, criminosos, e inocentes".
Mário Sergio destacou que o nível de violência já caiu muito no estado. Os indicadores da policia mostram queda nas mortes de policiais e nas apreensões de armas, que, de acordo com ele, é um dado muito positivo. "Nós últimos anos houve queda no número de homicídios, principalmente se levarmos em consideração que a população cresceu nesse período".
O objetivo da UPP, segundo o coronel, é retomar o controle estatal sobre as comunidades, devolver à população local a paz e a tranquilidade e contribuir para quebrar a lógica de guerra que existe no estado do Rio de Janeiro. Já acabar com o tráfico e com a criminalidade e apresentar-se como solução para todas as comunidades não são os objetivos das unidades.
Duarte explicou que há quatro fases de atuação no projeto das UPPs. Na primeira, ocorre a intervenção tática, no momento de maior uso da força, com ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e da Tropa de Choque. "É nessa etapa que retiramos os obstáculos e barricadas, permitindo assim o acesso à comunidade", disse.
A segunda fase é a estabilização, quando elimina-se os focos de resistência, o batalhão se reúne com a comunidade e há engajamento de outros atores sociais.
O coronel destacou que com o passar do tempo, a policia reduz a repressão e aumenta a prevenção. "A terceira fase é de instalação da UPP. Nessa fase, já existe uma polícia diferente, integrada com a população, com o mínimo uso do fuzil. E a quarta fase é a de avaliação e monitoramento", concluiu ele.
